Desacelere sua vida!

2008 Outubro 15
by Vanessa Mazza Furquim

 

Se você acelerar demais a vida, pode acabar chegando na reta final muito rápido e então, quando estiver lá, se perguntará porque quis tanto este momento, a ponto de não ter reparado em nada do estava a sua volta, sem ter sentido o brilho do sol ou os aromas doces de um momento que poderia durar para sempre na sua memória.Desacelere, pois o tempo é imortal e não corre de forma linear, como nossos relógios e calendários insistem em nos fazer acreditar…

Você pode ser capaz de sentir o presente em sua totalidade, a ponto dele expandir frente aos seus olhos e só existir silêncio, conforto, plenitude e paz.

Afinal, o presente é um espaço onde você pode ser você mesmo, sem carregar máscaras, sem estar alerta, pronto para reagir a qualquer provocação ou acusação e, o presente também é um momento no qual você pode se sentir estimado pelo Universo, necessário e significativo.

Porém, esses sentimentos são possíveis apenas quando você relaxa e descarrega o peso dos seus ombros, que geralmente é composto pelo fardo das outras pessoas, que você insiste em tomar como seu.

É interessante perceber como o mundo de hoje nos moldou a ser competitivos, a querer sempre mais, mesmo que na maioria das vezes, não saibamos bem porque queremos isso ou aquilo. No final das contas, vivemos condicionados a ter reações em cadeia, sem expressarmos nossa real identidade.

Muitas vezes penso que vivemos como máquinas 24 horas por dia ligadas no automático e que pensam, sentem e se comportam de acordo com algum manual pré-programado. Pode parecer absurdo, mas peço que repare na sua vida. O quanto de você tem colocado no seu cotidiano?

Por exemplo, quando desgraças coletivas acontecem, todos repetem as mesmas frases, as mesmas condolências, se comovem e agem da mesma forma. Porém, quando uma desgraça pessoal bate à porta, as mesmas pessoas podem agir de forma endurecida, irresponsável, cheia de revolta ou negação.

A mesma mulher que chora pela morte da menina, pode ser aquela mesma que, à noite, no mesmo dia, espanca sua filha por não ter tempo ou paciência para lidar com suas brincadeiras.

Ou o homem que passa o dia inteiro pregando religião, é aquele que abandonou seu pai num asilo e nunca o visita “porque seu pai não merece perdão.”

Sim, nós somos cheios de contradições, mas no final do dia, não há real problema em que algo seja certo e outro errado, pois existe apenas aquilo que você é e aquilo que não é. Existe você querendo representar um papel e o seu eu real querendo emergir a qualquer custo.

Veja que, mais grave que nossas mazelas cotidianas, está nossa hipocrisia em repetirmos coisas que não acreditamos, em afirmarmos que somos isso ou aquilo, quando na verdade, somos completamente diferentes, em nos sujeitarmos a situações humilhantes ou que nada têm a ver como nosso modo de ser, simplesmente “porque as coisas devem ser assim” e, pior, uma pessoa se mostrar bondosa, quando é egoísta e uma pessoa acabar recebendo a alcunha de ruim, quando em seu coração existe pureza de sentimentos.

De certa forma, parte da culpa em termos nos sujeitado a este tipo de vida insana, em que não há espaço para nossa beleza interior, nossa autenticidade, essa vida na qual saímos todos juntos, no mesmo horário, pegando as mesmas vias, sofrendo os mesmos problemas, sem no entanto, nos ajudarmos mutuamente, é com certeza nossa.

Isso porque, quando temos oportunidade de parar, relaxar, de sermos autênticos, de procurarmos uma via diferente, mesmo que com isso, possamos receber críticas – afinal, sempre existe inveja e raiva quando alguém percebe que outra pessoa teve mais coragem que si própria – negamos a nós mesmos este prazer e esta paz, por termos medo de não pertencer ao grupo.

Bobagem!

Imagine que a idéia da vida acelerada que vivemos hoje, materialista, corrupta, desigual, cheia de padrões pré-estabelecidos que todos tentam seguir, foi um dia introduzida, criada e auto-afirmada um milhão de vezes, até se tornar verdade absoluta, incontestável, como um dogma maior que os da Igreja Católica.

Entretanto, se você, a partir de hoje, se tornar consciente, desacelerar, viver sua própria verdade e manifestar sua individualidade, sem apegos, com certeza encontrará mais alegria em viver. E, tendo mais alegria, você fará seu trabalho melhor, será mais generoso, ajudará mais gente – sem parecer falso e artificial e sem ter sido por intermédio de alguém ou da sociedade. As pessoas gostarão mais da sua companhia, você terá menos doenças e sua mente ficará mais clara, portanto, você decidirá melhor e mais rápido.

Não é este o tipo de vida que você gostaria de estar levando agora?

Por fim, pense se a vida que você está levando está lhe trazendo resultados positivos ou não e esqueça do moralismo. Nem sempre o que parece “certo” traz benefícios para você e para os outros.

Existe muita coisa a ser vista, sentida e aprendida. Só você pode trilhar seu caminho, no ritmo apropriado para o seu desenvolvimento.

Pare de correr!

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